VIVER ENFERMAGEM EM CUIDADOS INTENSIVOS

domingo, 19 de julho de 2009

SAÚDE MENTAL EM UCI


Baseando-me na minha própria experiência profissional de 15 anos a exercer no Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Central do Funchal, que tem por missão segundo o seu director, Edward Maull, a prevenção, diagnóstico e tratamento de situações de doença aguda potencialmente reversíveis, em doentes que apresentam falência de uma ou mais funções vitais, eminentes ou estabelecidas e em que o objectivo primordial é suportar e recuperar estas funções vitais de modo a criar condições para tratar a doença subjacente e, por essa via, proporcionar oportunidades para uma vida com qualidade. Este serviço conta na sua orgânica com uma equipa de enfermagem constituída basicamente por Enfermeiros Generalistas, Enfermeiros Especialistas em Médico-Cirúrgica e Enfermeiros Especialistas em Reabilitação denotando-se portanto uma preocupação em assegurar competências técnicas nos cuidados imediatos, fundamentais para assegurar as funções vitais. No entanto uma unidade de cuidados intensivos não é só tecnologia por um lado e alguém com a sua vida e saúde em risco de morte eminente por outro, é muito mais que isso é a relação que é estabelecida com o doente (nem sempre estão sob efeito de sedação e nessa altura exprimem emoções e sentimentos que necessitam de intervenções); com a sua família/pessoa significativa que vive muitas vezes situação de luto antecipado e que necessita também ela de cuidados especiais; são as relações entre os diferentes grupos de profissionais que têm de permitir o funcionamento da equipa como equipa e para que esta equipa funcione eficazmente prestando cuidados com qualidade também os seus elementos têm de estar em equilíbrio nas diferentes vertentes da condição humana (bio-psico-social-espiritual) e entre si.

As unidades de cuidados intensivos são para Novoa e Valderram (2008), locais onde é dada extrema atenção a pessoas em falência orgânica e multiorganica, que mobilizam recursos tecnológicos de elevada complexidade e que exigem por parte dos seus profissionais muito trabalho técnico minucioso e permanente concentração. Para além destes aspectos, estes profissionais têm de lidar com utentes e famílias em sofrimento, com a morte muitas vezes em situações trágicas inesperadas, têm de lidar consigo próprias e com os restantes parceiros da equipa no controlo e gestão de emoções e sentimentos resultantes do somatório de todos estes factores, na realidade quem trabalha em unidades de tratamento crítico está sujeito a stress que levado ao extremo resulta em fenómeno de burnout, maior responsável pela morbilidade e absentismo entre os profissionais que trabalham nestas unidades.

A saúde mental, ocupa um espaço fundamental nas nossas vidas, não havendo saúde sem saúde mental, deste modo urge a intervenção com medidas que previnam, promovam e restabeleçam a saúde mental dos utentes internados em UCI, dos seus familiares e dos cuidadores da equipa garantindo assim, o tão desejado objectivo da melhoria contínua da qualidade dos cuidados prestados cada vez mais presente nas nossas vidas.


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