VIVER ENFERMAGEM EM CUIDADOS INTENSIVOS

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

DIA DA SÚDE MENTAL...VOANDO SOBRE UM NINHO DE CUCOS





DIA DA SAÚDE MENTAL
10/10/2016

VOANDO SOBRE UM NINHO DE CUCOS




A propósito do dia da Saúde Mental fui ao baú buscar este artigo que escrevi em 2011... 

Vivemos num mundo extremamente exigente que marca tudo o que é diferente e exclui essa diferença por não saber lidar com ela e por não a querer no meio dos iguais...

Viver Enfermagem em Cuidados Intensivos... Salvando Vidas... a fronteira: A Vida... A Morte... 
                       ...Em Saúde Mental Salva-se Vidas e Salvam-se Almas...


VOANDO SOBRE UM NINHO DE CUCOS...


Quem não se lembra do filme protagonizado por Jack Nicholson que no auge da sua carreira entra no filme “Voando sobre um ninho de cucos”? Era eu um adolescente de 16 anos (em 1986) quando pela primeira vez vi este filme, na altura, lembro-me que fiquei muito impressionado com os abusos e violações dos direitos humanos das pessoas portadores de doença mental, bem como com as lobotomias que na época se realizavam deixando muitos dos intervencionados em perfeitos vegetais... 

Resumindo: a história passa-se à volta de um indivíduo delinquente que para não ir parar à cadeia finge-se de doente mental… mal sabia o que o esperava. Este herói confrontado com a realidade que se vivia na época nos hospitais psiquiátricos, consegue ainda assim “lutar” contra muitas das atrocidades que se cometiam nessa época, liderou uma revolução no hospital, reivindicou direitos, dá esperança a muitos dos seus companheiros mas no fim do filme acaba por ser vencido pelo sistema, sujeito a uma lobotomia acaba "vegetal" perdendo a batalha.



Este filme teve o condão de chamar a atenção da opinião pública Mundial para os direitos dos seres humanos portadores de doença mental e permite-nos imensas reflexões/questões acerca desta temática. 

Na natureza a mãe cuco põe os seus ovos nos ninhos de outros pássaros, que quando eclodem trazem à luz do dia “cucinhos” que expulsam do ninho os seus irmãos condenando-os a uma morte certa, tornam-se assim nos únicos sobreviventes e perpetuando este comportamento próprio da sua espécie geração após geração - sobrevivem os mais fortes e astutos.


Será que nós sociedade não nos comportamos como esta ave, colocando fora do nosso mundo/ninho todos os que são mais fracos, diferentes? Não estamos a perpetuar comportamentos através das gerações?

O passado da psiquiatria é negro, abusivo alimentando o estigma que está dentro de cada um de nós, ninguém gosta de ser diferente porque a pressão social é enorme, na realidade na nossa individualidade todos somos diferentes mas não aceitamos a diferença dos outros como um direito individual e o resultado é andarmos a empurrar para fora do ninho todos os que podem competir pelo O2 que existe na natureza a 21% mas que mesmo sim dá para todos nós: os iguais e os diferentes...

Dia da Saúde Mental... Fomentando a diferença porque a diferença torna-nos iguais em direitos...

SIDÓNIO FARIA




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