domingo, 2 de julho de 2017

ENFERMAGEM PROFISSÃO DE RISCO...





ENFERMAGEM PROFISSÃO DE RISCO




Aqui jogado a pensar numa conversa que tive esta semana com um colega que se mostrava muito indignado com o facto de ter descoberto à pouco tempo que nós enfermeiros não somos considerados pelos nossos governantes, estejam eles na oposição ou não, como profissão de risco... realmente para quem anda neste meio e que por isso está por dentro do que é a vida de um enfermeiro é de coçar na cabeça e pensar... pensar... pensar e tentar perceber a lógica daqueles que foram colocados por todos nós a nos governar ou na oposição... penso... penso... e penso e não vejo outra razão que não esteja relacionada com cifrões, tostões e folhas de Excel... mais uma vez a poupar nos enfermeiros... uma classe numerosa, talvez a mais numerosa dos trabalhadores do estado depois dos professores e aonde mais uma vez se vai poupar tostões para que outros possam gastar em milhões...


enfermeiros os trabalhadores low-cost do Estado...


... este Estado decidiu desde á muito tempo eleger os enfermeiros como aqueles trabalhadores do estado onde poderá arrecadar com aquilo que não paga e não tenciona pagar... poupar euros que na realidade não representam poupança nenhuma mas na sim prejuízo com gastos elevados... os enfermeiros representam para este Estado uma aposta que vai resolver a crise económica do país (isto é tão estúpido)... é nesta profissão que se poupa, poupa, pupa... não só não se paga o devido valor como não se contrata enfermeiros para garantir que os cidadãos tenham os melhores cuidados... Tem-se realizado nos últimos tempos mais do que nunca estudos que até nem são feitos, nem encomendados pelos enfermeiros, alguns deles por entidades fora do país que comprovam que de facto em Portugal é fundamental que se contrate mais enfermeiros... resultados que têm sido comunicados às entidades competentes mas que mesmo assim esbarram numa folha de Excel e prontos faz-se contas e decide-se pelo não investir... tem sido descarada a má fé demonstrada para com os enfermeiros, tem sido anos e anos a adiar, a iludir, a ludibriar as expectativas de uma classe que não merece mais do que ser devidamente reconhecida especialmente por quem tem essa obrigação mais do que ninguém... ao longo dos anos (pelo menos desde que existo como enfermeiro – 25 anos) tem sido uma atrás de outras as estratégias para empatar o desenvolvimento profissional dos enfermeiros... começou por se exigir que para ter o grau de licenciado teriam de ir para a escola mais um ano e que só depois se poderia iniciar negociações para discutir a carreira de modo a que os seus vencimentos fossem equiparados aos valores que qualquer licenciado ganha neste país... e prontos lá foram os enfermeiros para a escola estudar para a licenciatura... nós que até então tínhamos carreira que na minha opinião só precisava de uns ajustes mas este estado não descansou enquanto não acabou com ela, neste momento não existe nada... ser especialista ou não ser é igual... ter 4, 5 6 ou dez anos de formação para além da formação básica é igual... o que se leva para casa no fim do mês é o mesmo... e claro toda a gente ganha com as mais valias do conhecimento acrescido menos quem efectivamente deveria ser premiado por esse acréscimo... no momento actual temos pessoas com uma elevada formação técnica e científica paga a um nível que me dá nojo se comparada com outros técnicos com um nível de formação que fica bastante aquém... poupa-se de forma descarada que a mim mais parece um roubo altamente preparado de forma fria e repugnante... brinca-se com o esforço e com os sonhos e expectativas das pessoas...
... atualmente fruto de uma carreira que só existe no papel paga-se a enfermeiros especialistas o mesmo que se paga a um enfermeiro recém licenciado... todos nós beneficiamos de cuidados especializados que foram fruto de investimento dos próprios... o seu tempo, o seu dinheiro... para um retorno que para além da satisfação pessoal só conta com o resultado do seu trabalho de especialista na saúde das pessoas alvo dos seus cuidados, porque na prática o reconhecimento monetário não existe porque quem governa não quer que isso aconteça...


gente que cuida de gente mas que pouco cuida de si...

Enfermagem profissão de risco... O enfermeiro é aquele que está ao lado de todos nós desde o momento do nascimento até ao momento da morte... acompanhamos sempre ao longo da vida... vivemos com a nossa população momentos bons e maus... alegrias, tristezas, dôr, sofrimento, angustias... gerimos muitas destas coisas na primeira e na terceira pessoa... gerimos o nosso e o dos outros... entramos na vida das pessoas e elas na nossa mesmo sem que ninguém peça... o enfermeiro perde noites e noites em contextos muito complicados e sujeito a desgaste muito superior ao da maior parte das pessoas... para nós não há feriados, fins de semana, não há Natal nem fim de ano muitas vezes... deixamos os nossos para cuidar de outros que não são os nossos... não somos profissão de risco mas vivemos em risco todos os dias, lidamos com a doença no desconhecido e estamos sujeitos a contrair as doenças que tentamos combater... sujeitos a stress, ansiedade e burnout mas não somos profissão de risco... trabalhamos em alguns contextos onde podemos ser alvo de agressões verbais e físicas pondo em causa a nossa integridade física ou mesmo a nossa vida... mas não somos profissão de risco... os enfermeiros têm cargas de trabalho elevadas que se tornam mais pesadas quando governantes sem visão, mal rodeados e incompetentes teimam em não contratar mais enfermeiros porque exige-se que os que estão façam o trabalho de mais cinco ou seis... quando corre tudo bem ninguém vê que as coisas correram bem mas quando algo corre mal ninguém quer saber que correu mal porque o numero de pessoas que estava a trabalhar não era o adequado para fazer bem o que era exigido... claro que não é profissão de risco... não somos profissão de risco mas contraímos doenças profissionais altamente incapacitantes (por exemplo hérnias discais) levando a dias de absentismo que subcarregam ainda mais os que ainda não adoeceram e asseguram os serviços... não somos profissão de risco mas exercemos uma profissão altamente desgastante... o nosso Estado entende que a idade da reforma para esta profissão deve ser a mesma  que a dos outros cidadãos... se calhar porque não somos profissão de risco... a enfermagem não é profissão de risco porque mais uma vez o Estado quer poupar tostões com os enfermeiros para gastar milhões na falta total de controlo de gastos no dia-a-dia das nossas unidade de saúde

tudo farinha do mesmo saco...

A enfermagem não é profissão de risco mas governantes incompetentes resultantes de um sistema que premeia a incompetência e o tassssse bem são um risco para a saúde de todos nós independentemente de serem de um partido ou de outro, da esquerda, do centro ou da direita 

Sidónio Faria




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segunda-feira, 26 de junho de 2017

A HIPOCRISIA DO TRABALHO EM EQUIPA




A HIPOCRISIA DO TRABALHO EM EQUIPA





São anos e anos a ver o mesmo cenário... nós formiguinhas para cá e para lá, muitas vezes com fardos pesadíssimos mas lá vamos carregando e carregando e sempre carregando e aguentando... dia após dia carregamos com tudo... sucessos e fracassos também vamos carregando... dizem que a chave para o sucesso é o trabalho em equipa, a filosofia tem de ser esta: equipa multi, inter e pluridisciplinar e blá blá blá... ...dizem que nós formigas não sabemos trabalhar em equipa, dizem que temos a mania que sem nós o sistema não funciona... eu não sei se temos essa mania...  alguns de nós até acho que têm... eu não...

... na realidade uma equipa tem como grande objectivo ser bem sucedida na missão que desenvolve... palavra de ordem sucesso... este sucesso implica trabalho, atitude, empenho, motivação, abnegação, espírito de sacrifício, ambição e provavelmente muitas mais coisas... as equipas bem sucedias têm estas características... mas voltando ao que dizem... dizem que nós formigas não sabemos trabalhar em equipa, que temos a mania que o sucesso da equipa depende de nós... eu cada vez mais acho que eles têm razão, realmente não sabemos trabalhar em equipa, gerimos muito mal o nosso papel na equipa porque sabemos qual o nosso papel, as nossa, funções mas para além disto sabemos também qual o papel dos outros e de outros, fazemos o nosso e ainda lembramos a alguns dos outros o que têm de fazer, e voltamos a lembrar e ainda voltamos a lembrar ao mesmo tempo que vamos fazendo o nosso e garantindo que outros e alguns dos outros acabem por fazer o favor de fazer o que têm de fazer... 
...realmente não sabemos trabalhar em equipa porque se soubéssemos provavelmente as coisas não iam dar sempre ou quase sempre certo e aí naquele momento em que os mesmos que dizem que nós formigas não sabemos trabalhar em equipa perguntassem: "porquê que não deu certo desta vez?" "O quê que falhou?" Ou "o quê que vocês não fizeram desta vez?" É preciso salientar que as perguntas são sempre feitas às formiguinhas porque numa equipa são só estas a errar, o resto é só gente perfeita e competente... a velha máxima aqui faz sentido, se fizeres muito erras muito, se fizeres pouco erras pouco e se não fizeres nenhum não erras e levas com uma promoção ou um outro incentivo qualquer tipo diploma, louvor ou algo do género...
...Mas como dizia se a eles (os tais que só têm perguntas para fazer às formigas) respondermos algo do tipo: "nada, não fiz nada para além do que deveria fazer, fiz bem o meu trabalho e ainda lembrei 50 vezes aos outros e a alguns de outros que tinham que fazer o seu trabalho ou pelo menos aparecer no trabalho" mas como acho que só tenho a obrigação de obrigar aqueles que ainda dependem de mim a fazer determinadas coisas( pelo menos por enquanto disso o Pedro e a Bea não se livram) não posso e não consigo obrigar gente adulta e responsável a fazer o seu trabalho... enfim uma equipa é isto, um conjunto de pessoas a trabalhar com os mesmos objectivos com as mesmas funções ou não, sendo que cada um é um elemento fundamental para o sucesso do trabalho realizado por essa equipa... acho que é isto, acho que cada um deve de se comprometer com o trabalho que tem de realizar e garantir que é bem feito por si, não estando à espera que outros (as tais formiguinhas) lhe lembrem a cada momento que é preciso fazer isto ou aquilo, afinal somos todos adultos que não deveriam necessitar que a mamã acorde todos os dias para ir para a escola... 

Na realidade (dura por vezes) o que se passa é que nos sucessos agradece-se ao trabalho da equipa e muitas vezes com enfâse a determinados elementos da equipa que são especiais ou talvez espaciais porque por vezes até parecem seres de outro planeta (geralmente aos menos envolvidos, na minha opinião mas provavelmente estou errado), por outro lado nos fracassos não se agradece como é óbvio mas pede-se contas sempre aos mesmos, as tais formigas que não sabem trabalhar em equipa e que têm de justificar o seu trabalho e o porquê de outros e alguns dos outros não terem feito o que deveriam ter feito e ainda ouvem coisas do tipo: porquê que só lembraram 50 vezes a outros e alguns dos outros o seu trabalho.... e esta hein???? Não sabemos mesmo trabalhar em equipa... Na verdade quando se falha, alguém não fez bem o seu trabalho... por isso alguém ficou prejudicado... na realidade todos foram prejudicados mesmo os que fizeram o seu trabalho... na equipa todos têm o seu papel, funções e obrigações... 

... há coisas que têm de vir de cima para baixo e não de baixo para cima... eles (os que dizem que as formigas não trabalham em equipa) têm que saber que estão uns lugares acima na pirâmide e que as formigas estão na operação e não podem também lembrar a estes que estão mais para cima na pirâmide o que têm de fazer... não é a formiga que tem de dizer a outros elementos da equipa que não estão a cumprir com o que se comprometeram... são os que pedem contas ás formigas que têm de perguntar aos especiais ou espaciais o porquê de não terem feito o seu trabalho... a cada um o seu papel sem confusões e sem hipocrisias... o sucesso é de todos e o fracasso também... as formigas não podem fazer tudo... há lugar para todos...

Sidonio Faria






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quinta-feira, 22 de junho de 2017

CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DAS CONVULSÕES




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terça-feira, 20 de junho de 2017

CÁLCULO DA SUPERFÍCIE CORPORAL QUEIMADA - REGRA DE LUND BROWDER






CÁLCULO DA SUPERFÍCIE CORPORAL QUEIMADA - REGRA DE LUND BROWDER


Adaptado de: http://www.misodor.com/QUEIMADURAS.html





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terça-feira, 13 de junho de 2017

ÍNDICE DE DESMAME VENTILATÓRIO





IDV
ÍNDICE DE DESMAME VENTILATÓRIO FERRARI-TADINI





ADAPTADO DE: http://www.medicinaintensiva.com.br/idv-informacoes.htm







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terça-feira, 6 de junho de 2017

PLANO DE TRABALHO DO TURNO





GUIA ORIENTADOR/PLANO DE TRABALHO DO TURNO










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domingo, 4 de junho de 2017

PASSAGEM DE TURNO






PASSAGEM DE TURNO












É um momento de partilha de informação entre quem cuidou e quem vai cuidar de modo a garantir que toda a informação importante para garantir a continuidade de tratamento e a segurança dos cuidados.


Esta passagem de informação deve ser sistematizada, deve ser abrangente incluindo aspectos gerais e particulares dos cuidados.



Em cada unidade existem linhas de conduta relativamente a esta passagem da informação, cada serviço/unidade tem as suas rotinas. Em algumas unidades a passagem de turno faz-se a dois tempos. Num primeiro tempo é feita em geral para todos e num segundo momento em particular na unidade/box do doente, ou então ao contrário, particulares primeiro e no geral para todos depois. Independentemente da metodologia o essêncial é garantir que a informação importante é passada, compreendida e aprendida.

Factores dificultadores da passagem de turno

  • De um modo geral no fim do turno as pessoas estão já cansadas e com ansia de sair pelo que por vezes pode suceder que alguma informação possa ser omitida/suprimida, bem como conversas paralelas que são normais existirem nestes contextos e que poderão desviar do foco essencial. 
  • Poderá ocorrer também falta de poder de síntese para ir directo ao que é verdadeiramente importante pelo que por vezes as pessoas acabam por desligar do que estão a ouvir.
  • Excesso de pormenores e tempo em demasia para passar um doente tornam por vezes este momento um verdadeiro calvário...
  • A boa disposição é importante existir no local de trabalho mas não pode ser a causa do descurar de alguma informação.



A passagem de Informação deve ser

  • Concisa, sintética qb mas deve-se garantir que o importante é passado.
  • Pormenores que já nada ou pouco têm a ver com o momento actual devem ser suprimidos.

Uma espécie de guia

Orientar a passagem do turno numa linha temporal, do início ao fim do turno tendo em conta:

  • Consciência, orientação;
  • Capacidade de cooperar nos cuidados;
  • Referencia a presença de dor; 
  • Referencia a funções vitais caso se justifique;
  • Drogas de suporte
  • Cuidados prestados e tipo de colaboração/reacção aos mesmos;
  • Referencia à alimentação; 
  • Exames complementares de diagnóstico;
  • Relato de intercorrencias;
  • Presença de família;
  • Necessidades Religiosas
  • Como ficou


Exemplo prático de uma passagem de turno de um doente numa UCI





PASSAGEM GERAL (PARA TODOS)

O Sr. X da cama 11, mantém-se sedo-analgesiado com Propofol e Remifentanil
Conectado e adaptado ao ventilador em VC
Mantém perfil hipotenso e traçado ECG irregular com FA. Tem suporte de Nora e Perfusão de amiodarona
Fez ECO cardíaca que revelou insuficiencia mitral e foi à TAC fazer TAC CE que está sobreponível á anterior.
Apresentou hipertermia e fez Paracetamol que foi eficaz
Teve visitas que foram orientadas para falar com médico
Mantém NE contínua que tem tolerado, já está no volume alvo
Dreno craneano está funcionante
Algalia permeável com boa resposta ao lasix

(LEVA POUCO MAIS DE 30 SEGUNDOS)

PARTICULARES (NA BOX E SÓ PARA O COLEGA)
Todo o conteúdo passado no geral mas especificando valores e diluições das drogas: Propofol 2% a 15; Remifenta 2mg/50 a 4; Nora 10/50 a 8 ml/h; Amiodarona 300/100 a 30 ml/h
Mostra drenos, tubos...etc..
Para além disso verifica a unidade com o colega que vai receber.







































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Hérnia Discal Lombar: O Essencial

​ 🧠  Hérnia Discal Lombar: O Essencial 📌  Definição A hérnia discal lombar ocorre quando o núcleo pulposo de um disco intervertebral se de...